domingo, 22 de junho de 2025

Revendo minhas certezas...

Revendo minhas certezas...

São muitas as coisas que eu gostaria de compartilhar aqui, mas não sei por onde começar... Então, começo pelo que tem pairado em meus pensamentos ultimamente.

Existem muitas perguntas que vivem em nossa mente. Antigamente, eu me preocupava com as dúvidas. Me apegava a uma interpretação equivocada de um versículo da Bíblia que fala para não ficarmos "entre dois pensamentos". A Bíblia inclusive pergunta: "Até quando vocês vão hesitar entre duas opiniões?" (Em outro momento podemos discutir o contexto do versículo mencionado.. agora atrapalha um pouco a fluidez do texto)


E esse foi o meu erro: achar que eu precisava ter certeza, que não poderia me permitir viver entre duas opiniões... e, pior ainda, não considerar a possibilidade de que ambas pudessem estar certas — ou erradas — ao mesmo tempo.

Eu estava cheia de certezas. Certezas que, por um breve momento, me ajudaram em minha imaturidade, me deram chão para me estabelecer como ser humano neste mundo. Mas agora, essas mesmas certezas precisariam ser desconstruídas para que eu pudesse, enfim, entender o processo de amadurecimento humano e começar a crescer de verdade.

Deus nos criou livres. E, desde o princípio, é justamente essa liberdade que tentam nos tirar.
Nunca foi o plano de Deus nos colocar debaixo de uma religião, de uma segregação, de algo ou alguém que nos controlasse. O plano sempre foi que fôssemos, à sua semelhança, livres e capazes de administrar nossa vida e o que está ao nosso redor.

É curioso como a Bíblia menciona que o sofrimento do povo é causado pela falta de conhecimento. E, de fato, caímos em armadilhas, tomamos decisões erradas, inconsistentes, por pura falta de conhecimento.
Os livros estão aí... obras e mais obras foram escritas sobre controle em massa, manipulação, estratégias de dominação, "pão e circo", guerra, ideologias... E, por "n" motivos — por escolha, por falta de acesso, ou por desinteresse — acabamos deixando de lado o conhecimento, os exemplos vividos, a história, as heranças que poderiam nos despertar.
Como consequência, viramos massa de manobra. Assinamos embaixo, rubricamos e autorizamos nossa própria manipulação, achando que estávamos fazendo a escolha mais certa da vida.

Mas calma.
Precisamos estar conscientes de que não podemos, nem devemos, jogar toda a culpa nos outros ou nas circunstâncias. Existe um agente ativo, vivo, pensante (eu/você) que, por suas ambições — ou, se quiser suavizar, seus ideais — ou até mesmo um nobre chamado... no fim, dá na mesma — acabou se entregando de corpo e alma a um sistema que não é tão nobre assim. Um sistema que tem seus próprios objetivos de controle.
Mas que também é orgânico, e sobrevive, se renova, prolonga seus dias justamente por essa organicidade incontrolável.

Na impossibilidade de detê-la, o sistema tenta controlá-la ao máximo. E é essa mesma organicidade que por tanto tempo nos faz acreditar que os ideais são puros e nobres... quando, na verdade, muitas vezes são apenas ambições incessantes da alma.

O orgânico faz parte do ser humano. É bom. Traz contribuições reais. Como nas igrejas, quando uma comunidade se reúne, se preocupa com seus membros, ora uns pelos outros, se apoia em momentos de luto e alegria... Isso é relacionamento. E ele acontece de forma orgânica, sem esforço, sem planejamento. É natural.
É aí que o evangelho, em sua forma mais pura e genuína, acontece. Isso não se controla. Acontece pela força que o evangelho tem em si, e pelos vínculos que se criam através dele.

É justamente nesse ponto que o sistema entra. Como todos os outros sistemas já descritos em tantos livros.
Ele tenta interferir nos relacionamentos mais básicos.
Tenta evitá-los, porque sabe que um povo que se une — com suas múltiplas características — se torna mais forte. E, usando esse mesmo discurso da "força da união", o sistema começa a implementar regra após regra, com a desculpa de nos tornar um só (mas deturpando completamente a beleza da pluralidade).
A partir daí, começa o controle: do que acontece, como acontece, quando, por que... e por aí vai.

E quando nos damos conta disso...
We already went too far.
Já fomos longe demais. Já rompemos conexões, laços, amizades de toda uma vida.
Já negligenciamos os estudos, a realidade dos fatos, o valor do que fazemos, a liberdade que custa caro...
E, muitas vezes, estamos de mãos atadas, incapazes de nos desfazer daquilo que achamos ser seguro, daquilo que vivemos por toda uma vida.

Fizemos um bezerro de ouro e chamamos isso de "chamado", de "ideal"... que, no fim, era apenas ambição.

Como, então, entender que crescemos, amadurecemos, vivemos coisas boas, sim — mas que ainda assim precisamos tocar na ferida?
Nos confrontar?
Desfazer pensamentos?
Questionar certezas?
Aceitar nossos erros?
Reconhecer o abuso sofrido, a lavagem cerebral que vivemos (e isso é difícil demais, porque justamente isso era o que nos alertavam que não deveríamos viver — e negamos até o fim, por causa da beleza do orgânico que tanto nos impactou)?

Sim. Esse foi um dos primeiros processos que enfrentei — e, sendo bem sincera, até hoje continuo enfrentando.
Olhar para mim mesma e ver que encontrei o evangelho em sua forma mais pura e orgânica (sim, vou usar essa palavra).
Mas, antes de tudo, fui vítima de mim mesma: das minhas ambições, do desejo quase idolátrico de viver uma causa nobre (que, convenhamos, habita todo ser humano).
Fui vítima da minha falta de estrutura emocional, talvez até familiar.
Fui vítima da minha ignorância cultural — e da minha falta de interesse em buscar mais.
Mas também, e não menos importante, fui vítima de um sistema controlador, abusivo, cruel, que se aproveita de tudo isso para se estabelecer no poder.

Todos nós precisamos reconhecer isso.
Só assim conseguiremos virar a página e continuar a escrever nossa história.

Com carinho, 
Buhle 


30th March 2016 | SA | by RCA  




domingo, 8 de junho de 2025

Bem-vindo(a) ao Zazi Kahle

 Esse espaço nasce da minha vontade de contar uma história real — a minha.

Uma história feita de mudanças corajosas, de recomeços intensos, de dias confusos e outros cheios de luz.

Zazi Kahle, em zulu, significa “conhece-te bem”. É isso que busco aqui: me reconhecer, me ouvir, me ver com mais verdade e delicadeza.

Por muitos anos, vivi longe do lugar onde nasci. E foi voltando de lá, de longe, que comecei a me aproximar de quem realmente sou.

Retornei com uma bagagem cheia de aprendizados, dúvidas, afetos e transformações que continuam a cada dia que passa.

Escrevo para lembrar, para partilhar, para inspirar quem também está atravessando caminhos difíceis ou recomeçando a vida.

Aqui assino com "Buhle" um nome que recebi durante os anos em que vivi na África do Sul.

Em zulu e xhosa, Buhle significa beleza. Mas não falo aqui da beleza superficial. Esse nome carrega outra camada: a beleza que nasce de dentro, do que é vivido com verdade, coragem e afeto.

Que esse blog seja um lugar de encontro — comigo mesma e talvez com você também.

Com carinho,
Buhle

9th March 2017 | Cape Town - SA | by RCA

Revendo minhas certezas...

Revendo minhas certezas... São muitas as coisas que eu gostaria de compartilhar aqui, mas não sei por onde começar... Então, começo pelo que...